ENTIDADE INTRÍNSECA VS AUSÊNCIA DE ENTIDADE INTRÍNSECA NO BUDISMO
(Asseidade vs Ausência de asseidade)
བདག་ ou བདག་ཡོད་ (bdag ou bdag yod)
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Sânscrito: ātman asti (ou correlato a svabhāva-sattva)
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Inglês: existence of a self, self-existent; intrinsic entity; aseity
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Português: “ter uma entidade intrínseca”, entidade intrínseca; existência autônoma; asseidade
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Explicação: Refere-se à noção de uma entidade auto-existente, permanente, independente de causas e condições — aquilo que as escolas budistas refutam. No ocidente, corresponde ao conceito filosófico-teológico de asseidade (do latim aseitas, “existir por si mesmo”), atributo atribuído a Deus como ser absoluto na tradição cristã medieval.
བདག་མེད་ (bdag med)
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Sânscrito: anātman / niḥsvabhāva
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Inglês: selfless; absence of intrinsic entity; absence of aseity
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Português: ausência de entidade intrínseca; ausência de asseidade
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Explicação: Refere-se à doutrina budista da ausência de qualquer entidade autoexistente ou permanente. Aqui “ausência de asseidade” transmite com precisão a rejeição filosófica do budismo Mahāyāna à ideia de um ser absoluto autofundado.
🔑 Nota comparativa:
Asseidade (do latim aseitas, “existir por si mesmo”) é termo da filosofia cristã medieval (Escoto, Tomás de Aquino) que designa o atributo exclusivo de Deus de existir por si, sem causa externa. No campo dos estudos comparados — e não como terminologia tradicional budista — podemos utilizar esse paralelo em sentido crítico: བདག་ཡོད་ (bdag yod) pode ser descrito, de modo comparativo, como a crença numa forma de asseidade: uma entidade intrínseca auto-existente, independente e permanente. བདག་མེད་ (bdag med), por sua vez, expressa precisamente a negação dessa suposta asseidade — isto é, a ausência de uma entidade intrínseca. Assim, o termo ocidental asseidade funciona aqui apenas como uma ferramenta conceitual para elucidar o tipo de existência que o budismo refuta
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