ILUMINANDO AS PROFECIAS DO FUTURO
– Palavras Proféticas de Buddha –
མ་འོངས་ལུང་བསྟན་གསལ་བྱེད་སྒྲོན་མེ་ཞེས་བྱ་བ་བཞུགས་སོ།
Compilado por Jamyang Khyentse Chöky Lodrö
“Esta obra assume a forma de um diálogo envolvendo Buddha Shākyamuni, Avalokiteśvara, Maitreya e Ānanda a respeito de eventos que aparentemente devem iniciar em 2026, estendendo-se até 2032.
Homenagem às Três Joias.[1]
Namo Guru Lokeśvaraye
O Abençoado (Buddha) ensinou o seguinte texto, que é benéfico durante a era maléfica[2].
A gama daquilo que se chama Dharma[3] é comparada a um caminho. Por quê? Porque é neste caminho que todos os seres sencientes viajam. É por isso que se diz que o Dharma é como um caminho.
Certa vez, quando o Abençoado estava sentado sob a árvore bodhi (árvore onde Buddha alcançou a iluminação), ele viu todos os seres sencientes do [continente] Jambudvīpa.[4] Ele viu que no final dos tempos, no período de quinhentos anos[5], surgiria uma era de maldade. Quanto aos pensamentos e ações de todos os seres, aquelas pessoas que encontrarem esse texto por meio de sua pureza (dez vezes maior) terão grande mérito, enquanto aquelas que não encontrarem este texto, não terão méritos o suficiente e experienciarão dor intensa devido às aflições. Os seres humanos na Terra se sentirão como se estivessem sendo despedaçados por armas.
Então, o venerável Ānanda disse ao Abençoado:
“Ó, Abençoado, visto que o Senhor considera os seres humanos com compaixão, por favor, salve-os desse sofrimento.”
O Abençoado disse ao venerável Ānanda:
“Eu explicarei a você. Enquanto eu permanecia na vastidão do espaço. Dirigi a minha intenção para observar os seres sencientes de Jambudvīpa (refere-se ao nosso mundo, segundo a cosmologia budista). Ouçam, todos vós, as minhas palavras. Este texto do Dharma (ensinamentos proferidos por Buddha) é um ensinamento que será benéfico quando surgir a era de maldade. Escrevê-lo e recitá-lo, e praticar a visualização e recitação do Grande Compassivo purificará rapidamente todas as ações prejudiciais e obscurecimentos. Honrar este texto com oferendas de incenso e flores trará a felicidade de todos os seres sencientes. Escrever e recitar este texto conduzirá a um excelente renascimento em todas as vidas futuras”.
Ao pé da árvore havia um grande lago, às margens do qual estava sentada a emanação da Grande Compaixão (Avalokiteśvara), que, enquanto estendia a sua compaixão incomensurável para todos os seres sencientes, chorava copiosamente. Então, O Abençoado disse:
“Ó! Grande Compassivo, ouça bem. Não há necessidade de chorar. Ouça bem o que tenho a lhe dizer. No Ano Novo e no mês do tigre,[6] decidi ir ao reino humano. Naquela ocasião, libertei todos os seres do oceano de sofrimento que é o samsāra, os quais vivenciavam a era maléfica. Eles renunciaram a todas as ações prejudiciais. Até mesmo guiei os seres que haviam caído nos infernos. Naquela ocasião, propaguei este texto do Dharma. Escrever ou recitar este texto porá fim a todas as doenças. Qualquer pessoa que o escreva beneficiará uma cidade inteira. Qualquer cidade onde ele for escrito beneficiará um país inteiro. O mérito dos seres humanos aumentará e as circunstâncias negativas e obstáculos serão evitados. Isso trará a liberação dos sofrimentos dos infernos. Beneficiará tanto a vida atual quanto a futura. Este é o caminho essencial para todos os seres das seis classes. É comparável a navegar num barco via um oceano ou rio. Ter fé e pura devoção a esse texto é crucial. Até a chegada de Maitreya ao reino humano, esse texto trará grandes benefícios. Escrever este Dharma e compartilhá-lo com outros trará méritos ilimitados nessa mesma vida e nesse mesmo corpo. Isso fará com que o oceano cheio de sangue do samsāra se seque.
Devido às dez impurezas mentais[7], os seres serão:
1. Em primeiro lugar, esmagados pelas aflições. Quão dignos de compaixão são todos os seres!
2. Depois disso, em segundo lugar, o reino humano tornar-se-á um vale cheio de sangue.
3. Em terceiro lugar, embora a pessoa tenha cultivado a terra e feito plantações, será incapaz de ter a colheita.[8]
4. Em quarto lugar, os seres humanos experimentarão sofrimentos intensos.
5. Em quinto, as pessoas serão incapazes de perceber o ‘caminho’.[9]
6. Sexto, as cidades serão invadidas por vários ‘animais selvagens’[10].
7. Sétimo, as casas/edifícios das cidades /países/ etc., se tornarão vazias [11]. [12]
8. Em oitavo lugar, por todos os lados serão vistos monges[13] sem disciplina, vagando,[14] manipulando dinheiro comercializando oferendas.
9. Nono, as pessoas serão incapazes de colaborar ou ajudar uns aos outros.
10. Em décimo lugar, fantasmas famintos aparecerão[15] perambulando pelas cidades. E isso que acontecera devido as dez impurezas.
“As pessoas não respeitarão umas às outras e se vangloriarão enquanto menosprezam os outros. Há quatro classes na sociedade humana: governantes, comerciantes, trabalhadores e sacerdotes.[16] Se todos eles tiverem confiança e reverência por este texto, a época será de fortuna”.
O Abençoado disse:
“Aqueles que não confiam neste texto enganarão reciprocamente e cairão no inferno do tormento final (avīci). Eles não ouvirão o Dharma e os seus gritos de angústia serão ouvidos por todo o céu e terra. Surgirá uma era de epidemias.[17]
Escrever ou recitar este texto de Dharma imediatamente após ouvi-lo irá superar todas as epidemias e a fome. Isso conduzirá a um excelente renascimento.
Há sete formas de sofrimento neste mundo:[18]
- Primeiro, há o sofrimento do calor e do frio dos seres infernais;
- Segundo, o sofrimento da fome e da sede entre os espíritos famintos;
- Terceiro, o sofrimento da ignorância e da estupidez dos animais;[19]
- Quarto, o sofrimento do nascimento, velhice, doença e morte; a miséria e a pobreza; e o sofrimento que provém da adesão às visões errôneas” entre os humanos;[20]
- Quinto, o sofrimento da hostilidade e do conflito entre os Asuras;[21]
- Sexto, o sofrimento da morte, transmigração e queda dos deuses;[22] e
- Sétimo, o sofrimento do estado intermediário – bardo – [entre o morrer e o renascer].
Esse texto será benéfico nestas circunstâncias, para isso, aquele que acreditar nele, alcançará o sucesso de tudo aquilo desejado, todas as doenças serão eliminadas e haverá o retorno aos bons tempos. Se alguém perguntar como isso ocorrerá [é assim]:
No ano do cavalo — elemento fogo yang [2026, 2086], um meteoro do tamanho de uma grande rocha[23] cairá da vastidão do espaço e aterrissará na margem de um grande corpo de água.[24] Quando esse meteorito se abrir, este texto emergirá dele. Então, será crucialmente importante que este texto de Dharma seja passado de uma pessoa para outra e não seja mantido escondido ou em segredo. Isto não se destina apenas a um ou dois indivíduos; foi proferido para o bem de todos os seres sencientes. Que todos os sofrimentos do samsāra tenham fim!
“No futuro, no final do período de quinhentos anos,[25]
Quando os ensinamentos do Buddha estiverem em declínio,
Quando a disciplina dos monges se tiver deteriorado,
Quando as mentes estiverem ocupadas com pensamentos prejudiciais,
Quando as provisões de alimentos serão contaminadas.
Quando as pessoas se saciarem com as transgressões das promessas e com os erros cometidos,
Quando se engajarem nas dez ações prejudiciais,
Quando os praticantes tântricos recitarem os mantra para o mal,
Quando os cinco venenos forem nutridos profundamente,
Quando as pessoas se comportarem mal física e verbalmente,
Quando o ensino do Dharma estiver em declínio terminal,
Quando as penas dos pássaros se acumularem nas montanhas,[26]
Quando a pessoa se deslocará em veículos de madeira e metal,
Quando as pessoas se engajarem nas dez ações prejudiciais,
Todas estas ações, faltas e defeitos[27]
Irão certamente anunciar um tempo de crise temível.
Este texto que dissipa as condições da época maléfica
Se for escrito ou recitado imediatamente após ser visto –
Não tenham dúvidas de que isso evitará os males da época.
É suficiente ver o que é verdade e o que não é.
E dizer o que se sabe como verdade.
Para as pessoas que dizem que não é verdade
Desde o topo da cabeça até às pontas dos dedos dos pés,
Aparecerão sinais de que serão acometidas por doenças.”
Quando o Abençoado disse isto, o Grande Compassivo, Maitreya, Ānanda, e o mundo inteiro com os seus seres humanos, Asuras e Gandharvas regozijaram-se e louvaram o discurso do Abençoado.
Então, o Abençoado estendeu a sua mão direita, belamente adornada com as marcas e sinais, e tocou-a no chão, subjugando assim as forças demoníacas do mal juntamente com os seus séquitos. É preciso treinar essa perfeição transcendente da sabedoria, que traz alegria inconcebível e bem-estar mental e que subjuga e pacifica a doença e as forças demoníacas. Então, o Abençoado entrou na absorção meditativa semelhante ao Ganges[28] e proferiu este texto que resume todos os excelentes ensinamentos dos sūtras.
Em seguida, Ananda dirigiu-se mais uma vez ao Abençoado:
“Abençoado, este Dharma que o Senhor ensinou tem o propósito de evitar obstáculos e circunstâncias negativas no samsāra. No ano do macaco — elemento terra yang [2028, 2088], uma epidemia ocorrerá, e será crucial ter um meio profundo de lidar com ela. Se os seres duvidarem da veracidade disso e não tiverem confiança nesse texto, negligenciando-o devido à indiferença, fazendo com que ele não possa se difundir,[29] isso só irá deliciar as forças demoníacas. Mas o fato de este texto ser copiado e confiado trará muita felicidade. Este texto do Dharma trará alívio.”
O Abençoado respondeu:[30]
“Ótimo, ótimo. Isso é extremamente bom.
Isso deve ser ensinado em todos os lugares desde cedo,
E isso resultará em uma excelente riqueza de virtudes.
O mérito e as qualidades se desenvolverão plenamente.
Assim falaram todos os Buddhas perfeitos.
Nanda, Upananda e todos vós,
Esforçai-vos nisto, que é benéfico para os seres.
No futuro, no final dos tempos,
A virtude disso estará além da imaginação.
Para qualquer um que tenha fé nisso
Todos os desejos serão realizados,
Os obstáculos e as adversidades serão banidos.
A pessoa que tem fé nos ensinamentos de Buddha
Deve fazer oferendas com incenso e flores”.
Então, o protetor Maitreya olhou para a imensidão do espaço e viu que os seres humanos estavam derramando lágrimas de sangue. Foi até o Abençoado e disse:
“Abençoado, vos suplico, por favor, nos transmita um Dharma (ensinamento para o futuro que expresse a sua mensagem em poucas palavras, mas que contenha grandes bênçãos”.
O Abençoado respondeu:
“Maitreya, isso é excelente.
Ouça este meu discurso.
Ele é transmitido para o bem de todos os seres
Inclusive os seres como Brahmā e Śakra
Para beneficiar todos os seres sencientes
Eu comuniquei esta mensagem verbalmente.
Ela deve ser respeitada e aplicada com diligência,
Pois ela trará uma abundância de virtudes”.
Posteriormente, no primeiro mês do outono[31], durante o ano do cavalo — elemento fogo yang [2026, 2086], e no ano do macaco — elemento terra yang, [2028, 2088] as pessoas más que não têm fé [não acreditam] neste texto encontrarão a sua morte. As pessoas que copiarem ou recitarem este texto, terão uma vida longa, desfrutarão de boa saúde e ganharão muito mérito. Nessa era maligna as forças nocivas[32] (gdon) perambularão pelas cidades. Invisíveis para os seres humanos, elas passarão por lugares incertos, permanecendo ocultas[33]. Naquele momento, as bênçãos deste texto de Dharma farão com que todos os espíritos, forças maléficas e interferências prejudiciais tremam e fujam. É vital que este texto seja divulgado por todas as terras. Não o considerem falso nem duvidem dele.
Para aqueles que não têm fé neste Dharma ensinado pelo Sábio e Venerável Buddha, Sugata, Conhecedor do mundo, Guia e Domador dos seres, Professor insuperável dos deuses e dos homens, Aquele Conquistador, Desperto e Transcendente —, um grande terremoto ocorrerá no ano de cavalo — elemento fogo [2026, 2086].
A crise que surgirá nesse período se intensificará no ano carneiro — elemento fogo yin [2027, 2087], e muitas pessoas contrairão doenças devido à contaminação (grib) e perecerão[34] alguns falecerão nas estradas e outros falecerão em deslizamentos de terra.[35]
No ano do macaco — elemento terra yang [2028, 2088], haverá inundações terríveis. No verão, as doenças provocadas pela fome causarão a perda de vidas. Nesse período, os espíritos nocivos invadirão a terra. Copiar e recitar este ensinamento proporcionará proteção contra as interferências prejudiciais e criadores de obstáculos.
No ano de galo — elemento terra yin, [2029, 2089], será crucialmente importante evitar fazer mal aos outros; abster-se de consumir carne ou algo contendo ou feito com sangue [de animal] e observar os seus votos.
[36]No ano de cachorro — elemento metal yang [1970, 2030, 2090], ‘as terras e as cidades serão invadidas por predadores de seres, ‘como, urso ferozes, tigres, leopardos e outros’[37] (essa frase me faz lembra quando na bíblia diz “lobos devoradores no meio do rebanho”). Nesse período, será crucial copiar e recitar este Dharma como um meio de liberação para os seres humanos.
No ano do porco – elemento metal yin [2031, 2091],[38] todos os seres sencientes carecerão de autocontrole – ou serão desenfreados –, assim como um papel soprado pelo vento ou como um grande lago que se agita e transborda. Nesse período, as pessoas que não acreditarem no que está escrito neste texto, morrerão.
Então o Abençoado disse ao Grande Compassivo:
No ano do rato [2032, 2092], o som melodioso do Dharma emanará da imensidão do espaço.
Então, se a pessoa copiasse ou recitasse esse texto que irradia por todas as quatro direções cardeais e oito direções intermediárias com o poder e a força das bênçãos dos Buddhas, como a luz do sol e da lua, ele traria benefícios até a chegada de Maitreya. Tal é o potencial desse texto.
Se isto for copiado ou recitado em voz alta, trará grandes méritos.
No palácio no Monte Potala
Reside a emanação da fala de Buddha
Rodeado por um séquito de Bodhisattvas.
Acima, abaixo e em cada uma das dez direções –
Ele conduz os seres de todos os lugares à felicidade.”
Ademais, o Grande Compassivo considerou todos os seres humanos com compaixão e propagou esse texto[39] para o bem dos seres sencientes. Se duvidarem dele e o considerarem falso, então, no primeiro e no segundo mês do verão, surgirá uma epidemia. As pessoas adoecerão de manhã e morrerão à noite.[40] Nesse período, à medida que a era da crise se desenrola, as plantas e as florestas serão cortadas e derrubadas, as montanhas rochosas desmoronarão desde sua base e a terra tremerá e estremecerá como se fosse incapaz de permanecer imóvel. A cada dez pessoas, apenas uma sobreviverá. Não pensem que isso seja mentira, pois é a palavra do Abençoado.[41] Quão dignos de compaixão são todos os seres!
No ano do carneiro – elemento fogo yin [2027, 2087] e do macaco – elemento terra yang [2028, 2088], o maléfico período de ‘quinhentos anos’ irá despontar. Os conflitos surgirão por todos os lados – nas quatro direções cardeais e nas oito direções intermediárias. Os seres humanos discutirão e matarão uns aos outros.[42] Este é o Dharma que libera da destruição do tempo. Copiá-lo e recitá-lo à primeira vista (dos acontecimentos) superará os conflitos. Se esse texto que traz bem-estar for copiado ou recitado, trará virtudes ilimitadas e o liberará de todos os medos e preocupações.
Este texto de Dharma não é apenas para um ou dois indivíduos; ele foi composto para o bem de todos os seres sencientes. Se este texto de Dharma for distribuído por todas as terras em todas as direções, os seres humanos desfrutarão de excelente felicidade e bem-estar. E por meio da abundância de virtude,[43] os sofrimentos dos seres sencientes terminarão.
A menos que este texto seja diligentemente lembrado (recitado) durante cinco ou seis meses, surgirá uma era de epidemias.
Muitos morrerão por doenças de calor/febre (tsha ba’i nad = febre, doenças inflamatórias etc.);
Muitos morrerão por doenças de frio. (grang ba’i nad = doenças frias, hipotermia, condições de frio etc.);
Muitos morrerão por doenças reconhecidas (smos nas = identificada, reconhecida oficialmente — ou epidemia declarada);[44]
Muitos morrerão por causas desconhecidas;[45]
Muitos morrerão por doença do coração;
Muitos morrerão por doença da bile / doença do fígado;
Muitos morrerão por doença dos pulmões.
(Porém) há remédio para aqueles acometidos por doenças causadas por espíritos nocivos.
Os nobres filhos e filhas[46] devem manter nos seus corpos este texto que protege contra essas formas de doença e interferências prejudiciais.
O mantra que protege e liberta de todos os espíritos deuses, espíritos nāgas, espíritos elementais e epidemias – EMAHO, PHEN NO PHEN NO SWAHA –[47] deve ser usado pelos homens do lado direito e pelas mulheres do lado esquerdo. Fazendo assim, (a pessoa) haverá liberação de todas as epidemias e também propiciará um excelente renascimento. Não há dúvida de que copiar, recitar e ter fé nisto trará a liberação do oceano de sofrimento cheio de sangue, que é o saṃsāra.
Quão dignos de compaixão são todas os seres humanos entre o céu e a terra![48]
Que todas as doenças que causam morte antes do tempo entre os seres humanos sejam totalmente pacificadas! Que os seres tenham a excelência de eras passadas! Que eles possuam méritos incomensuráveis.
Para os seres que não têm fé neste texto de Dharma, não haverá tempo para a liberação. As cidades serão invadidas por várias classes de forças destrutivas. Naquele momento, os lamentos das pessoas preencherão o céu e ecoarão por toda a terra’.[49] Embora haja alimentos nutritivos, não poderão consumi-los.[50] Toda a população enfrentará forças demoníacas e interferências malignas[51] que lhes impedirão o acesso ao alimento.[52]
Então, o Grande Compassivo, o nobre Avalokiteśvara, para que os seres pudessem despertar a compaixão em suas mentes, solicitou o seguinte[53] :
“Abençoado, vos suplico que impregneis este texto com as vossas bênçãos.
Consagrei-o com poderes magnetizadores, vos rogo”.
Então, o Abençoado disse:
“Se este texto for venerado com fé e devoção, os maus tempos chegarão ao fim. Ele trará o mérito ilimitado da liberação de todas as formas de doenças contagiosas. Que todos os seres humanos nesta terra sejam libertos dos conflitos, doenças e miséria de uma era má e obtenham toda a excelência da era passada.[54]
De acordo com esta aspiração em prol da virtude,[55] e especialmente se for recitado durante o mês do cavalo (junho) e o mês do coelho (março), trará qualidades benéficas inimagináveis. Aquele que copiar e recitar este texto desfrutará de uma vida longa, boa saúde e felicidade.[56] A cópia parcial do texto pacificará todas as causas de todos os danos durante essa era de maldade”.
Tempos atrás, essa profecia circulou uma vez num ano do Dragão[57] [provavelmente 1964]. Aparentemente não foi capaz de se difundir por todo o mundo. Foi assim que a era do mal se instalou pela primeira vez (depois que essa profecia foi descoberta). Posteriormente, o texto circulou no ano do cavalo – elemento fogo yang [provavelmente 1966].
Este texto de Dharma é o meio de evitar os tempos maléficos. A menos que se difunda por todas as terras, as colheitas serão arruinadas pela praga, granizo e geada, conduzindo à fome. Surgirá uma epidemia de doenças irreconhecíveis, trazendo dor e miséria. Não há dúvida de que o copiar ou o recitar proporcionará a liberação de todo o sofrimento.
Até que o vitorioso protetor Maitreya chegue a este mundo, este texto de Dharma serve de refúgio aos seres. Para aqueles que têm fé nele e devoção:
Que ele limpe e purifique todas as ações prejudiciais,
Obscurecimentos e tendências (kármicas) habituais.
Que as colheitas sejam sempre excelentes!
Que a virtude seja abundante!
Que ele seja igual a uma joia que satisfaz todos os desejos e necessidades![58]
Que tudo em todas essas terras seja auspicioso!
Que cada lugar se torne resplandecente!
Que as doenças, a fome e as guerras sejam totalmente erradicadas!
Que as chuvas tragam excelentes colheitas!
E que todos os desejos sejam espontaneamente realizados!
Com a riqueza e a prosperidade se espalhando por toda a terra,
Possa a Roda do Dharma girar e permanecer segura para sempre.
Quando o Abençoado disse isso, o Grande Compassivo, Maitreya, Ānanda e o mundo inteiro, inclusive os devas, Asuras e Gandharvas se alegraram e louvaram o discurso do Abençoado.
Assim termina A Luz Clarificadora: Uma Profecia do Futuro[59].
Maṅgalaṃ
VERSOS DEDICATÓRIOS:
Para A Luz Clarificadora –
Uma Profecia do Futuro por Jamyang Khyentse Chökyi Lodrö
Pela virtude do ato benéfico
De imprimir este ensinamento profético
Do incomparável Buddha perfeito
Para que aqueles com fé possam preservá-lo,
Que os malefícios deste tempo degenerado sejam dissipados,
Que todos nós possamos encontrar o alívio de uma era dourada perfeita,
Que a joia no céu da alegria e da felicidade amanheça
E que possamos rapidamente alcançar a excelência insuperável e duradoura.
A emanação Khyentse compôs esta prece de aspiração.
Possa a virtude e a excelência prosperar.
Estas profecias do que está por vir, claramente preditas
Pelo supremo mestre, vidente dos três tempos,
Foram compiladas por Chökyi Lodrö, Vajradhara em pessoa,
Imbuído do amor afável para com os seres dessa era degenerada.
Que todos aqueles que praticam isto com fé e devoção
E uma intenção totalmente positiva em relação aos ensinamentos e aos seres,
Serem totalmente liberados das dez principais formas de terror
E alcançarem rapidamente a onisciência suprema.
Maṅgalaṃ.
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Essa obra singular em forma de um diálogo envolvendo Buddha Shakyamuni, Ananda, Avalokitesvara e Maitreya, foi copilada e fez com que fosse propagada pelo falecido Jamyang Khyentse Chökyi Lodrö (1896–1959), amplamente conhecido e celebrado como o “Mestre dos Mestres”. A mesma obra foi traduzida pela primeira vez para o inglês em 1988, por Karma gSungrabr Gya-mtsho (Stephen Aldridge), com a recomendação de que fosse reproduzida gratuitamente. Posteriormente foi traduzida por Adam Peacey em 2020 com o generoso apoio da Khyentse Foundation e Terton Sogyal Trust, e com a graciosa assistência de Alak Zenkar Rinpoche.
Tais eventos podem ocorrer no ano do cavalo – elemento fogo yang – 2026 até 2032 -, ou no próximo ano do cavalo – elemento fogo yang – em 2086 etc., visto que cada ciclo dura 60 anos. Porém, muitas coisas preanunciadas nessa profecia já estão acontecendo, talvez não em proporção como seja realmente quando chegar o tempo.
@Tradução para o português de Bia Bispo em 2024, consultando o texto tibetano disponível no site Lotsawa.org e as traduções de Stephen Aldridge e Adam Pearcey. Revisado por Thelma Shimomura 2024. Última revisão feita por Bia Bispo em novembro 2025. Os anos ainda por vir, foram colocados ao lado de seus respectivos signos zodiacais, conforme o calendário tibetano, a fim de facilitar a leitura. Possa esse texto beneficiar e amenizar os sofrimentos de infinitos seres sencientes nessa era do Kaliyuga. Sarva Mangalam
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Bibliografia
Edições Tibetanas
O texto A’dzom “Ma ‘ongs lung bstan gsal byed sgron me” in Khams a ‘dzom dgon du bzhugs pa’i dpe rnying dpe dkon/ BDRC W3PD981. 9 vols. vol. 7: 521–544
O texto mChan bu “Ma ‘ongs lung bstan gsal byed sgron me”. BDRC W8LS19467. 1 vols. [s.l.]: [s.n.], [n.d.].
NLMa “Ma ‘ongs lung bstan gsal byed sgron me” em Dam can khrag ‘thung gsol mchod sogs/ (coleção de textos digitalizados na Biblioteca Nacional da Mongólia). TBRC W1NLM182. 1 vols. [s.l.]: [s.n.], [s.d.]
NLMb “Ma ‘ongs lung bstan gsal byed sgron me” em lhag pa’i lha gang yang rung ba’i sgo nas rang gzhan dang dgon grong la byabs khrus rgyun ‘khyer du bya tshul sogs/ (coleção de textos digitalizados na Biblioteca Nacional da Mongólia). TBRC W1NLM195. 1 vols. [s.l.]: [s.n.], [s.d.]
NLMc “Ma ‘ongs lung bstan gsal byed sgron me” in Phongs sel sgrol ma’i sgrub thabs maN+Dal gyi bden cho ga rim sogs/ (coleção de textos digitalizados na Biblioteca Nacional da Mongólia). TBRC W1NLM608. 1 vols. [s.l.]: [s.n.], [s.d.]
NLMd “Ma ‘ongs lung bstan gsal byed sgron me” em Ma ‘ongs lung bstan gsal byed sgron me sogs/ (coleção de textos digitalizados na Biblioteca Nacional da Mongólia). TBRC W1NLM408. 1 vols. [s.l.]: [s.n.], [s.d.]
O texto gSung ‘bum “Ma ‘ongs lung bstan gsal byed sgron me” em ‘Jam dbyangs chos kyi blo gros kyi gsung ‘bum. TBRC W1KG12986. 12 vols. Bir, H.P.: KhyentseLabrang, 2012. Vol. 10: 587-602.
Ya chen “Ma ‘ongs lung bstan gsal byed sgron me” em Lung bstan phyogs btus/. TBRC W3CN532. 4 vols. dPal ya chen o rgyan bsam gtan gling /, 2016. Vol. 1: 1-9
Fontes secundárias
Karma Sungrab Gyatso (Stephen B. Aldridge). The Light That Makes Things Clear: A Prophecy of Things to Come. https://www.shroomery.org/forums/showflat.php/Number/2787246 (acedido em 15 de abril de 2020)
Nattier, Jan. Once Upon a Future Time: Studies in a Buddhist Prophecy of Decline [Era uma vez um Tempo Futuro: Estudos sobre uma Profecia Budista do Declínio]. Berkeley: Asian Humanities Press, 1991.
NOTAS
[1]No texto mChanbu esta homenagem com Namo guru lokeśvaraye (sic).
[2] “A “era do mal” refere-se à era da degeneração, também chamada de “era do conflito” ou período Kaliyuga.
[3] Dharma (com letra ‘D’ maiúscula), em geral é referido aos ensinamentos deixados pelo próprio Buddha.
[4] Conforme a cosmologia budista, esse é o continente ao Sul do Monte Meru [a montanha mitológica] no centro do Universo, e se refere ao nosso mundo humano.
[5] Notei que tem várias interpretações de “500 anos”, No Nitiren Daishonin, por exemplo, “período de quinhentos anos” refere ao 5º período de 500 anos após o Mahaparanirvana de Buddha. Esse último período, que se estende por quinhentos anos, refere-se à era contaminada e maléfica — uma era marcada por conflitos e discórdias. O ponto comum entre esta e as diversas profecias e interpretações existentes é a indicação de um tempo dominado por perturbações e múltiplos tipos de conflitos, no qual a maldade prevalece. Trata-se da era de degenerescência (sânscrito Kali Yuga; tibetano rtsod ldan gyi dus, tsöden gyi dü), caracterizada pelas cinco degenerações: 1) Degeneração do tempo – refere-se a existência de disputas, proliferação das guerras e da fome etc.); 2) Degeneração da duração da vida – refere-se ao declínio do tempo de vida (a vida útil encurtando); 3) Degeneração da percepção correta – refere-se à dificuldade de corrigir a visão errônea que é referido às falsas crenças que são difundidas; 4) Degeneração da aflição – refere-se a uma forte crença em um eu ou entidade intrínseca divido a qual se aumenta as emoções negativas relacionadas aos cinco venenos – o desejo exacerbado, o ódio, o orgulho, a inveja e a ignorância os quais constituem as aflições mentais que aprisionam os seres no ciclo de sofrimento – renascimento e morte – samsāra); 5) Degeneração dos seres – refere-se ao declínio das qualidades dos seres por terem dificuldade de controlar a mente e os órgãos sensoriais (tornando-os difíceis de receber ajuda). S.S o Dalai Lama também inclui a degeneração ambiental. E pelo que está descrito, já estamos na era de Kali Yuga, esse texto é muito importante para a nossa sobrevivência durante esse período.
[6] O mês do tigre é o primeiro mês do ano tibetano [de 7 fevereiro a 6 de março].
[7] Refere-se às 10 ações prejudiciais ou não virtuosas.
[8] No texto gSung ‘bum está escrito: rang gi spyod dbang med (a pessoa não tem o direito de usufruir [do resultado]).
[9] No texto gSung ‘bum diz: lam la ‘gro ba’i mi mi mthong (“as pessoas não percebem o caminho que percorrem”)
[10] Para essa frase, veja a explicação na nota 15
[11]Isso pode ser referido aos desastres naturais cada vez mais eminente em nosso mundo. As pessoas morrem ou têm que abandonar suas casas e imigrarem…).
[12] No texto gSung ‘bum diz: rgyal khams dang khang pa rnams stong par ‘gyur (as casas/edifícios/prédios do país/cidade ficarão desolados).
[13] A maioria das traduções deste texto espalhadas na internet toma a expressão tibetana (gcan gzan), nessa frase, como “animais selvagens”, mas essa leitura não é sustentável nem no contexto nem na morfologia. A palavra (gcan), derivada de gcan pa, significa “taxa sobre mercadorias”, “cobrança de pedágio”, “barreira de pagamento” — em outras palavras, ações ligadas a arrecadação, comercialização ou manejo de dinheiro; não significa “animal” no tibetano clássico. Já (gzan) significa o manto ou hábito monástico, funcionando aqui como uma metonímia para “monge”. Ao analisar cada termo separadamente — e considerando o uso frequente de compostos tibetanos criados para ajustar o número métrico de sílabas em uma frase ou verso — torna-se claro que (gcan gzan) descreve aqueles que usam manto monástico (“monges”) que estão envolvidos em arrecadação, comércio ou transações de “compra e venda” etc.
[14]No texto gSung ‘bum diz: cha med du (“sem rumo, sem disciplina, sem contenção”).
[15] O termo tibetano ཡི་དྭགས (yi dwags), aqui traduzido como “espíritos famintos”, refere-se literalmente aos seres do reino dos fantasmas/espíritos famintos. Contudo, na hermenêutica tibetana, metaforicamente pode indicar seres em geral — sobretudo humanos — que vagueiam em estado de extrema carência, miséria, fome ou dependência, perambulando pelas cidades. Isso é sustentado pela frase seguinte — “Isso acontecerá em decorrência das dez impurezas”.
[16]Estas são as quatro camadas ou classes (varṇa) da sociedade indiana são: as do governante ou guerreiro (kṣatriya), do comerciante (vaiśya), do trabalhador (śūdra) e do sacerdote (brāhmaṇa).
[17]No text gSung ‘bum diz: tshe ‘di la yang “mesmo na mesma vida”. O textoYachen omite isto.
[18] No texto de Ya chen diz: mi la sdug bsngal bdun yod (as pessoas têm sete tipos de sofrimentos).
[19]No texto gSung ‘bum: dud ‘gro blun rmongs kyi sdug bsngal. O texto Ya chen enumera o terceiro sofrimento como sendo o dos Asuras.
[20]A tradução aqui segue texto gSung ‘bum: mi la skye rga na ‘chi dang mi khom pa dang dbul ‘phong lta ba log ‘dzin gyi sdug bsngal .
[21]A tradução aqui segue o texto gSung ‘bum. No textoYachen enumera o quinto como o sofrimento que provém da apreensão errônea (visões equivocadas).
[22]A tradução segue o texto gSung ‘bum. No texto Yachen diz simplesmente: lha tshe ring po’i sdug bsngal (o sofrimento dos deuses de longa vida extraordinária).
[23]A tradução segue o texto Ya chen: pha bong tsam. No texto gSung ‘bum tem escrito bong ba tsam (“o tamanho de um pedaço de terra”)
[24] No tibetano (mtsho chen po). Isso pode indicar mar ou oceano, ou mesmo um grande lago.
[25] Ta-Chi-Ching, o Sutra da Grande Coleção, contém três períodos e divide o declínio em cinco períodos consecutivos de 500 anos. O quinto período de 500 anos é a época em que “brigas e disputas surgirão entre os adeptos dos meus ensinamentos [de Shakyamuni]”), e o Dharma será ofuscado e desvanecido”. https://www.500yojanas.org/stone-last-age/page/3/ . (Em outras interpretações é dito: “brigas e disputas entre as várias escolas filosóficas budistas).
[26]Isto refere-se às pessoas inconstantes e instáveis que vão fazer retiros nas montanhas (ou lugares isolados) ao invés de se tornarem praticantes com mentes estáveis.
[27]A tradução segue o texto Yachen: las rnams nyes skyon de rnams kun. No gSung ‘bum está escrito las ngan nyes rkyen de rnams kyis (“estas más ações, crimes e condições prejudiciais”).
[28]Seguindo o texto Yachen: gaṅgā‘i ting nge ‘dzin. No gSung ‘bum está escrito gang gi ting nge ‘dzin (aquele que permanece em samadhi).
[29]No texto gSung ‘bum está escrito btang snyoms su lus nas (“negligencia devido a indiferença”), mas isto é omitido nesse texto Yachen.
[30] No texto gSung ‘bum está escrito bcoms ldan ‘das kyis (“O Abençoado respondeu”); O texto Yachen omite isto.
[31] No calendário tibetano, o outono começa no 7º mês. Chamado tradicionalmente de Dawa Dünpa (Sétima Lua), mês de setembro no calendário ocidental.
[32] Tibetano – gdon, que significa: espíritos nocivos, influências destrutivas, forças perturbadoras, energias hostis.
[33] A expressão “invisíveis aos seres humanos, vagarão sem rumo e permanecerão ocultas” (མི་ཡིས་མི་མཐོང་བར་ གང་ཡོང་ཆ་མེད་དུ་འགྲོ་ཞིང་གབ། …) não descreve seres físicos, mas indica, segundo a hermenêutica tibetana, forças nocivas, influências hostis, condições negativas, perturbações sociais que afetam a época de degeneração. É um uso simbólico frequente em textos proféticos, no qual agentes sutis são representados como “forças que vagueiam ocultas”. Tudo nessa frase aponta para forças destrutivas invisíveis. Invisibilidade ao olho humano (མི་མཐོང་); movimento imprevisível (གང་ཡོང་ཆ་མེད) — “vagando em qualquer direção”; difusão incontrolável (འགྲོ་) — “se espalhando” permanência oculta (གབ་) — “ocultas em todos os lugares”.
[34] Na edição de A’dzom diz: mi la la grib kyi nad kyi szin nas ‘chi (morrer por doença de terrível contaminação). NLMa, NLMb, NLMc, nos textos Yachen e gSung ‘bum têm escrito ‘gril nas ‘chi que pode significar (morte em massa?). [Isso é linguagem típica de catástrofes naturais: deslizamentos soterramentos, avalanche, colapso do terreno, terremoto, fumaça e poeira sufocante, prédios caindo, montanhas desmoronando, explosões que engolfam as pessoas, bombardeio em zonas fechada; sufocação / asfixia coletiva].
[35] No texto A’dzom diz: sa rnyil nas ‘chi (catástrofes naturais ligadas ao colapso da terra (como deslizamentos e desmoronamentos). No texto Yachen diz: la la dran pa snying nas ‘chi (muitos morrerão por um colapso súbito da consciência (como um AVC). No texto gSung ‘bum está escrito: la la ni dran pa nyams nas ‘chi (muitos morrerão por perderem consciência). [Essas duas últimas notas indicam para catástrofes naturais e/ou mortes massivas.].
[36] Provavelmente esses votos, referem-se à ordem monástica).
[37] Isso pode ser uma metáfora indicando a mentalidade nociva, indomável e animalesca dos homens. Com base no meu conhecimento da linguagem metafórica utilizada nos ensinamentos budistas — especialmente na tradição tibetana — os termos གཅན་ཟན gcan zan (predadores de seres), དེགས་དྲེད degs dred (ursos ferozes) e སྟག་དོམ་སོགས – stag dom sogs (tigres, leopardos e outros) não devem ser entendidos de modo literal. Em textos proféticos, tais expressões não descrevem animais reais invadindo cidades, mas representam forças destrutivas, governos violentos, grupos humanos hostis, tropas agressivas e energias coletivas indomáveis que surgem em épocas de declínio espiritual e social. Trata-se de um emprego simbólico comum nas escrituras tibetanas, onde a animalidade feroz funciona como imagem para comportamentos humanos degenerados. É análogo às expressões correntes em português — “feras soltas na política”, “lobos disfarçados”, “predadores sociais”. Assim, estes termos indicam homens cruéis e bestializados, dominados por ferocidade, ganância e violência, instaurando caos social e desordem moral — e não a presença literal de tigres, leopardos ou ursos nas cidades.
[38] Em português essa nota foi corrigida de acordo com o texto A’dzom , o qual seguiu a cronologia dos anos. O ano do Porco – elemento metal é 2031 vem depois do ano do cachorro…
[39]Seguindo o texto A’dzom. Os textos Yachen e gSung ‘bum omitem yi ge ‘di (este texto).
[40]Seguindo o texto gSung ‘bum: snga dro nad na dgong mo ‘chi (adoecem de manhã e a noite morrem). No texto Yachen: nam lang nas dgung mo ‘chi (morrerão do amanhecer ao anoitecer). No texto A’dzom: nam lang nas dgong mo’i bar la ‘chi (morrerão entre o amanhecer e anoitecer).
[41]Seguindo o texto gSung ‘bum e A’dzom. No texto Yachen tem escrito: mi bden bsam na bcom ldan ‘das kyi bka’ yin (“isto não é falso, visto que são palavras do Abençoado”).
[42]Seguindo o texto Yachen: nang dme byed [ nang = interno, dentro de… doméstico] e [dme byed = causar violência/ dano físico, agressão, matança, conflito sangrento] significa: matança entre irmãos ou parentes; violência interna dentro do próprio núcleo familiar.”. O texto gSung ‘bum diz: rme byed nas zad [nas zad = (morrer em decorrência de…, perecer por causa de… significa: “morrer em decorrência de violência”.
[43]Seguindo o texto gSung ‘bum: dge ba phun sum tshogs pa yis (por possuir méritos abundantes e excelentes). Outras edições têm yin em vez de yis (porém essa partícula não muda o significado).
[44]No texto gSung ‘bum diz: la la smyo nas ‘chi (muitos morrerão devido à loucura / desordem mental. ”). No texto A’dzom diz: la la ni mid pa na nad ‘chi (muitos morrerão devido a doença no esôfago; pode também indicar dificuldade de engolir, engasgo, obstrução súbita da passagem alimentar, sufocação).
[45]No texto Ya chen: la la ni lkog ma na nas ‘chi (muitos morrerão por causas desconhecidas).
[46] Segundo um comentário de Tara “nobre família ou nobre linhagem” refere-se às pessoas que abandonaram as 10 ações negativas.
[47]Seguindo os textos gSung ‘bum e Yachen: ཨེ་མ་ཧོ། ཕན་ནོ་ཕན་ནོ་སྭཱ་ཧཱ། E MA HO/ PHAN NO PHAN NO SVĀHĀ/. Nos textos A’dzom e mChanbu está escrito E MA HO/ OṂ MA PHAN NI PHAN NI SVĀHĀ /
[48]Seguindo os textos Yachen, A’dzom, mChanbu: gnam sa’i bar gyi mi rnams thams cad snying re rje /. No texto gSung ‘bum diz: ‘jig rten khams kyi mi rnams snying re rje/ (Como todos os humanos deste mundo são dignos de compaixão!).
[49]No texto gSung ‘bum: essa frase é: de dus mi rnams ngu ‘bod kyis gnam sa gang – Naquele momento, os lamentos das pessoas preencherão o céu e a terra. Esta linha é omitida no texto Yachen.
[50] Tibetano འབྲུ་བཅུད་ཡོད་ཀྱང་ཟ་དབང་མེད། “as pessoas” não poderão consumi-los.
[51] Nessa frase གྲོང་ཁྱེར་ལ་ཡང་གདོན་རིགས་, “…As cidades, serão invadidas por várias classes de forças maléficas/destrutivas”, o termo གདོན་རིགས་ (gdon rigs), nesse contexto, é empregado claramente em sentido hermenêutico e não se refere necessariamente a forças demoníacas ou maras, mas a seres humanos que, movidos por ódio, crueldade ou ganância, impedem outros de acessar alimento. Isso é sustentado pela frase: “Embora haja alimentos nutritivos, não poderão consumi-los”.
[52]No texto gSung ‘bum: mi grangs mang pos bdud zas byed — “devido às grandes multidões, forças demoníacas exercerão sua ação destrutiva sobre os seres (impedindo-os de obter alimento)”. Esta linha ocorre antes e difere em algumas edições. No texto mChanbu diz: mi grangs mang yang bdud zas byas. No texto A’dzom diz: mi grangs med kyang bdud zas byed. NLMa, NLMb, NLMc, NLMd: mi grangs kun kyang bdud zas byed. O texto Yachen omite completamente essa linha.
[53]No texto Yachen: gsung pa’i yan lag (lit.: componente dos ensinamentos). A ‘dzom e mChanbu: bsrung ba’i sngags (mantra protetor). NLMa, NLMb, NLMc: bsrung ba’i legs (excelência protetora). NLMd: bsrung ba’i srung ba’i sngags (mantra da dupla proteção).
[54]Aqui há uma variação considerável entre as edições. Grande parte das diferenças é mínima. Note-se, no entanto, que o texto gSung ‘bum omite sngon gyi (passado).
[55]O texto mChanbu omite dge ba’i phyir – devido ao méritos/virtudes.
[56]Seguindo os textosYachen, A’dzom e mChan bu. gSung ‘bum, NLMa, NLMb, NLMc, NLMd tornam a frase imperativa através da terminação gyur cig.
[57]No texto gSung ‘bum diz: ‘di sngon byung ‘brug lo (Muito tempo atrás, no ano do Dragão, ‘esse texto’ surgiu e foi espalhado)/. No texto NLMa está escrito thal (no passado) em vez de dar (espalhado/propagado). No texto mChan bu diz: sngon ‘brug lo nang la cha gcig song yang/ (anteriormente, no ano do dragão, se espalhou uma vez).
[58]Seguindo A’dzom, mChanbu, NLMa, NLMc: nor bu lta bu’i dgos ‘dod ‘byung bar gyur cig / Os textos gSung ‘bum, Yachen e NLMd omitem lta bu’i (igual).
[59] O texto mChan bu conclui essa profecia com os seguintes acréscimos:
“Que este Dharma (ensinamento) Mahāyāna, intitulado A Luz Clarificadora: Uma Profecia do Futuro, seja plenamente cumprido. Não duvideis deste Dharma/Ensinamento. [Nota editorial: A tradução inglesa traz a expressão “spoken by all the buddhas and Bodhisattvas…”, que é doutrinariamente incorreta. A formulação correta, usada aqui, é:] Este foi proclamado por Buddha Shākyamuni diante da árvore Bodhi (em Bhodgaya- Índia), na presença dos Bodhisattvas, para os seres sencientes do tempo degenerado do período de quinhentos anos, a fim de dissipar os terrores de tal era maléfica. Que esse (Dharma) se difunda por todo o espaço. Como diz o texto do Bodhicaryāvatāra (X, 37): “Do canto dos pássaros e do sussurrar das árvores, Dos feixes de luz e até mesmo do céu, Que todos os seres encarnados percebam para sempre e continuamente o som do Dharma.” **De acordo com isso, esta profecia pronunciada pelo Buddha, desceu pela primeira vez da vastidão do espaço, num determinado ano do Cavalo – elemento fogo yang, no passado. Depois disso, o nobre Avalokiteśvara a difundiu por todas as terras para o benefício dos seres. No futuro, a partir do ano Cavalo – elemento fogo yang, visto que é profetizado que diversas crises ocorrerão gradualmente, é importante orar aos Três Jóias — que são as fontes infalíveis de refúgio — e especialmente a Avalokiteśvara, protetor da Terra das Neves. Também é de suma importância cultivar virtude e abandonar as ações prejudiciais, e, acima de tudo, perseverar essa escritura e recitar este texto profético como um meio de evitar as diversas crises que ele prenuncia. Que isto seja causa de proteção temporária contra o medo, e da pacificação das doenças, da fome e dos conflitos, e, finalmente, que seja a causa da realização do estado de onisciência. Esta nota foi escrita por aquele chamado Chö. Que seja virtuoso. Que seja auspicioso. ” **
ILUMINANDO AS PROFECIAS DO FUTURO – Palavras Proféticas de Buddha – ED. FINAL Nov. 2025
